Água-viva rosa de asa laranja. Voa! Voa!
Entrei na sala e essa era a cena: o homem estava jogado no chão, cheio de sangue. Quem é? Entrei em desespero! Nunca havia presenciado coisa parecida, nem em sonho. Uma moça loira corria, desesperada. Seus cabelos faziam uma cascata que parecia brigar com o ar, querendo ser mais rápido do que o possível. Onde eu estava? Quem eram aquelas pessoas?
Comecei a andar pelo apartamento, o homem parecia ter dinheiro. Seu telefone tocava, o bip da secretária anunciou que alguém iria deixar algum recado. Acho que era sua namorada. Por um momento senti pena da moça, que não imaginava o que passaria dali a algumas horas.
Pensei em chamar a polícia, mas não o fiz. Então fui eu mesmo analisar a cena do crime. Alguém o teria esfaqueado, mas que maldade! Por quê fariam isso? Então a moça loira apareceu, gritando, desconcertando meus pensamentos. Ela gritava pelo seu nome! Jorge, era o que ela dizia, desesperadamente, enquando deitava a seu lado e fechava os olhos, tentando fazer com que aquilo passasse.
Ela não me viu, então resolvi sair e deixá-la a sós naquele momento. Era íntimo demais para que um estranho chegasse pedindo informações. Foi então que um barulho agudo e contínuo me puxou. Senti como se meu chão estivesse caindo, como se um palco estivesse quebrando no meio do clímax de "Romeu e Julieta" e eu fosse junto. Acordei, suado, apavorado. Ainda tentava descobrir quem teria feito tal crueldade com aquele moço e me sentia covarde por não ter ajudado tão pobre mulher.
Foi então que percebi... A vida é curta demais para sofrimentos, para impedimentos, para apenas não vivê-la!
VOA! VOA!
sexta-feira, 19 de março de 2010
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